24/03/2020 16h04 - Atualizado em 24/03/2020 16h05

Mulheres que Inspiram

Uma homenagem da Prefeitura Municipal ao mês da Mulher


Mulheres que Inspiram

Ana Lúcia Gomes de Souza tem 52 anos e trabalha a mais de dez anos na Frente de Trabalho da Prefeitura Municipal de Aparecida. Ana é católica, com uma fé inabalável em Deus, é devota de Nossa Senhora Aparecida. Divertida e muito solidária, é mãe de três filhos e avó de oito netos, e procura sempre ajudar a todos de alguma maneira. Guerreira e com uma história de vida inspiradora conta como é trabalhar varrendo as ruas da cidade.

Trabalho:

Durante muitos anos ela trabalhou em casas de família, mas precisou deixar o emprego para cuidar das filhas que nasceram com atraso mental e tinham muitas convulsões. Hoje, ela trabalha na frente de Trabalho e sente-se muito orgulhosa em varrer as ruas.

Ana Lúcia conta que muitas pessoas perguntam se ela sente vergonha do que faz. Mas pra ela, o trabalho é como qualquer outro e que não devem enxergá-lo inferior a tantos outros empregos.

“Eu acho que tudo que a gente faz com amor é digno. Não é porque eu varro rua que eu não tenho caráter” afirma.

Há 12 anos, assassinaram seu filho e com a perda ela sofreu muito. Foi através do emprego que ela encontrou alegria de viver.

“Teve uma época que eu me senti sozinha, abandonada e de repente, Deus colocou várias pessoas boas na minha vida. Se eu não trabalhasse na frente de trabalho eu não seria nada. Tem dia que você tem que trabalhar alegre, mas ninguém sabe o que se passa. É difícil, pois têm dias marcantes da época do meu filho que eu não consigo trabalhar como nos outros dias”.

Trabalhar nas ruas permite que Ana Lúcia, crie um vínculo de amizade com muitas pessoas que trabalham em estabelecimentos próximos. Dessa forma, por onde passa muita gente a reconhece.

“Os meses que eu não trabalho são os piores dias da minha vida. Eu sinto muita falta. Sem a frente de trabalho eu não sou nada”.

Solidariedade:

Ser solidária vai muito além do que muitas pessoas imaginam e sobre esse assunto, Ana Lúcia sabe muito bem dizer. Ela é um exemplo na sociedade de pessoa simples, que não pensa apenas em si. Mesmo com dificuldades financeiras ela também ajuda vizinhos e pessoas próximas. Para ela, temos que deixar todos nossos problemas de lado e procurar ajudar a todos.

“Quando uma pessoa precisa de um remédio eu vou buscar. Peço ajuda para alguém. Tem muitas pessoas que sempre me ajudam. Eu gosto de ajudar as pessoas, mesmo eu não tendo, mas eu me sinto bem”.

Para trabalhar na Frente de Trabalho é estabelecido um contrato de um ano para todos os colaboradores. Após o vencimento, Ana Lúcia aproveita o tempo para cuidar da sua mãe e de seu padrasto.

“Eu cuido dos meus pais idosos. Meu padrasto é acamado e minha mãe já teve dois AVC”.

Esse sentimento de empatia de se colocar no lugar do outro e saber que de alguma maneira podemos ser solidários é nítido em seus olhos. Ela tem uma visão mais humana com as pessoas.

“Não ajudo esperando algo em troca. O cara lá de cima (referindo-se a Deus) me dá tanta coisa boa, como emprego, saúde. Eu nunca fico doente, é muito difícil. Eu não tenho o que reclamar da vida”.

Outra maneira que ela encontra para ajudar as pessoas é tirando sorrisos de todos ao seu redor. Pra ela, isso vale muito à pena. É como se ela ganhasse o dia.

“Eu queria ter dinheiro. Não para mim, mas para ajudar todo mundo. Os moradores de rua, todo mundo, mesmo eu sendo pobre. Eu me sinto bem. Eu divido minha cesta básica quando eu percebo que alguém está precisando de alguma coisa, às vezes eu fico sem, mas prefiro doar para as pessoas”, conta.

Mulheres que Inspiram

Ser Mulher:

Toda mulher é forte o suficiente para superar qualquer barreira em sua vida. Hoje, Ana Lúcia se considera feliz. Sofreu em um relacionamento abusivo, com violência doméstica por anos, teve o filho assassinado, suas filhas nasceram com problemas mentais e por diversas vezes passou por dificuldade financeira. Ela encontrou forças que nunca imaginou para conseguir enfrentar todos seus problemas. Mesmo assim, ela não acha justo reclamar da vida. Cuida da casa, de sua mãe e do padrasto.

 “Eu que faço tudo. Compro remédio. Minha prioridade são eles depois do trabalho” afirma.

Ana Lúcia tem orgulho de ser mulher e acredita que as mulheres são valorizadas mesmo que ainda exista preconceito na maioria das vezes, por parte dos homens.

Mensagem:

Para finalizar, pedimos para que Ana Lúcia deixasse uma mensagem para todos, diante da realidade complicada que estamos vivendo.

“Deixem Deus tomar posse de tudo. Sem ele nós não somos nada. Deus é tudo”.

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Bárbara Amaral



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